Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração

Vila Formosa - São Paulo - Brasil

SANTUÁRIO, SEMANA SANTA E PANDEMIA

22129924844_94098911a5_oOutra vez e, desta feita com mais intensidade, recai sobre nós o inclemente peso da pandemia. Olhando os noticiários, superlativos são os casos de internações e mortes provocadas pelo vírus sarscov-19. O período mais crítico que já se anunciava desde o começo do ano na região amazônica, agora chegou em São Paulo. Outra vez o fechamento das atividades presenciais, é decretado. As Igrejas, contudo, foram incluídas em atividades essenciais.

Acerca dessa inclusão, recai sobre nós Igreja Católica, comunidade do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração, aquela palavra bíblica de que a quem muito é dado, muito será cobrado (cf. Lc 12, 48). Nesse sentido, é hora de reforçarmos os protocolos de segurança. Álcool gel, distanciamento, máscaras, higiene da Igreja e aferição de temperatura não serão apenas elementos a ser utilizados em nossas comunidades, mas serão atitudes imprescindíveis. Devemos criar uma verdadeira cultura de assepsia eclesial. Zelar uns pelos outros é condição indispensável para sermos Igreja neste tempo.

Convém recordar que, pelo calendário previsto para o isolamento em São Paulo, caso ele não seja prorrogado, o início da Semana Santa será ainda vivido nesse cenário. Quiçá o tríduo pascal inicie em outro contexto. Assim, mais do que nunca é hora de dilatarmos a consciência e aprofundarmos nosso senso de Igreja.

Sabemos da imensa multidão que acorre ao nosso Santuário nesse período. A circunstâncias, contudo, nos imporão restrições. Assim convém a cada fiel preparar bem o coração e, em alguns momentos, rezar de sua casa, junto com o seus. Nem sempre haverá vaga para todos, com segurança em nossa Igreja.

De nosso lado, faremos o possível para transmitir as celebrações e propor momentos alternativos de oração e de comunhão com o povo. A Semana Santa será vivida com intensidade. A Igreja, embora restrita para um número pequeno de fiéis não estará inacessível a ninguém. Ela será sempre reduto de esperança para todos.

Consciente de nossa responsabilidade, viveremos este tempo com esperança. Buscaremos honrar a ideia de que uma grande missão nos foi confiada e por ela, seremos exigidos. Oxalá, consigamos corresponder aquilo que a nós foi concedido.

Pe. Reuberson Ferreira, MSC
Pároco e Reitor do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração.


O SANTUÁRIO E A PANDEMIA!

homeCaso contemos, já somamos mais de onze meses que estamos vivendo sobre o flagelo dessa terrível pandemia, quase um ano desde que o primeiro caso foi diagnosticado no Brasil. Quanta coisa foi reinventada, repensada, refeita em todos os níveis, inclusive em nosso Santuário. Do ponto de vista concreto, vivemos um ano de uma certa anestesia pastoral. Nossas atividades, quase todas, migraram para o continente digital, para a seara virtual.

Passando em revista este tempo, contemplamos muita coisa boa em meio as sombras deste período. Consolidamos a “TV Santuário” e com ela transmitimos uma intensa programação do próprio Santuário. Ainda temos limites, mas já caminhamos bastante. Ainda neste período nosso espírito de solidariedade e de fraternidade multiplicou-se, fizemos tanta caridade que foi uma verdadeira lufada da bondade de Deus para os que mais necessitavam. Ao mesmo tempo, desencadeamos um senso de corresponsabilidade pela nossa Igreja sem precedentes. Inúmeras pessoas, preocupadas com a manutenção do nosso Santuário e com suas obras, foi fiel na devolução do dízimo e na organização de eventos. Ainda estamos amargando perdas e déficits, mas sentimos que muita gente, para além das restrições sanitárias, preocupou-se com a vida deste Santuário.

A pandemia, ao que tudo indica, ainda irá persistir por um certo tempo, não obstante a vacina que já está sendo aplicada. A Igreja, mesmo em meio a essa situação, quando teve oportunidade de retomar suas atividades (celebrativas) o fez com segurança. Por essa razão, mesmo com novos decretos de restrição das atividades, seguimos sendo contados como reduto essencial, lugar de esperança para o povo. A bem da verdade, nossos fiéis, particularmente em nosso Santuário, já conhecem bem o protocolo de segurança (máscara, distanciamento e uso de álcool gel). Essas ações, se não impedem a contaminação totalmente, ao menos a atenuam. E nos garantem o funcionamento!

Nesse sentido, urge recobrarmos o processo de realização de atividade eclesiais. É imperativo que os agentes de pastoral – falo de você que agora ler este texto – recobrem o curso das atividades. É oportunidade de começarmos a sonhar com o retorno de todas as nossas Missas. É hora de começarmos a planejar a retomada de ações sociais como a pastoral do menor e/ou a solidariedade. É momento de começarmos a desenhar um plano para o retorno da catequese de crisma ou de primeira Eucaristia. De voltarmos os nossos conselhos pastorais, entre outros.

Num raciocínio lógico, precisamos vencer essa letargia que tomou conta de muitos de nós no compromisso com o Evangelho, com a Comunidade e com a Igreja (alguns deixaram até a Missa). Deus que nos chamou, sabe do nosso coração e entende todas nossas “disposições e indisposições em servi-lo.” Ele que é justo, nos julgará conforme nossos corações. E nos dará a merecida recompensa no momento final! Voltemos ao nosso compromisso com o Reino de Deus!

Pe. Reuberson Ferreira, MSC
Pároco e Reitor do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração.


Vamos trabalhar para isto?!

siteA chegada de um novo ano é sempre um momento ritual. Ele marca a passagem para uma nova época, um novo tempo, capaz de mover as pessoas em direção a sonhos, projetos e esperanças. Não raro, renovamos as expectativas de novas conquistas, sonhamos com realizações diferente e, quiçá, melhores. Esse efeito mágico que um novo ano porta é comum às pessoas e instituições. Nosso Santuário, uma instituição de fé formada por pessoas que se inspiram na força do Evangelho, também traz ao ano que está nascendo uma série de projetos, sonhos e desejos.

Neste ano de 2021, mesmo ainda maculados pelo medo da pandemia, sonhamos com um Santuário que seja renovado. Desejamos uma renovação que passe pela via da fé. Tenho, espero que seja turva, a sensação que muitas pessoas em nosso Santuário vivem uma fé frígida, morna (Ap 3, 15). Não uma fé entusiasmada capaz de dizer como Paulo: “Ai de mim se não evangelizar” (1Cor 9, 16). Desse modo tudo parece difícil de fazer. Os nossos compromissos religiosos soam como um fardo, uma penosa obrigação. Há sempre uma desculpa para não se comprometer. A Igreja é sempre o caminho menos importante, tudo é mais necessário que a vida de Igreja – exceto quando estamos com dificuldades, pois ai, lembramos de Deus. Assim, rogamos que tenhamos uma fé abrasadora, como a de Paulo ou com a de tantos homens e mulheres que abnegadamente fizeram com que este Santuário fosse um templo de pedras vivas. Vamos trabalhar para isto?!

Outra renovação que sonho neste Santuário é no espírito da Acolhida. Do ponto de vista prático a Pastoral da Acolhida do nosso Santuário tem dado um espetáculo, mesmo em meio as dificuldades, de acolhida dos fiéis. Desde o retorno das Missas eles acolhem, cuidam e zelam para que todos sintam-se protegidos e amparados no Santuário. Sonhamos que nosso Santuário seja mais acolhedor. Que todos que queiram desenvolver um trabalho ou colocar seus dons a serviço de nossa comunidade sejam acolhidos. Sintam-se respeitados e crentes que podem fazer bem a este Santuário com os talentos que dispõe. Mais ainda, que seu serviço concorre para um mundo mais cristão. Vamos trabalhar para isto?!

Por fim, um último sonho é o de atingir uma maturidade e corresponsabilidade para com o Santuário. Me convenci, por tudo que vivemos neste ano, que há muita gente que ama este Santuário e preocupa-se com ele, para que sua atividade evangelizadora não cesse. Há, contudo, alguns que mesmo servindo-se dele ainda não perceberam – talvez por acharem o Santuário rico – que ele depende do compromisso de cada um para subsistir. Depende do dízimo, das ofertas e das doações que cada um aporta. Ser dizimista, portanto, é um compromisso com a evangelização. Sonho que todos no Santuário nos tornemos dizimistas, que tal? Vamos trabalhar para isto?!

Meus sonhos são na verdade sonhos comunitários. Assim, não podem ser sonhados sozinhos. São sonhos institucionais, paroquiais. Por isso precisam ser sonhados juntos. Vem sonhar conosco o projeto de Jesus. Ajude-nos!

Vamos trabalhar pelo bem do Reino de Deus. Amém!


Meditação de Natal: Entre a Luz e Herodes!

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O nascimento de Jesus está envolto num universo de símbolos. O cenário é peculiar: Manjedoura, Maria, faixas, menino, pastores, presentes e uma estrela. Para cultura do povo de Jesus (Judaica) a estrela era sinal da esperança pela vinda do Messias. De fato, o texto de Mateus nos mostra que os pastores se guiaram pela estrela, pela luz, pela esperança da chegada de um Salvador.

Os magos chegam ao encontro de Herodes, perguntando pela luz que os envolveu desde seu país. Querem saber onde ela brilhou na forma de uma criança, pois desejam render-se ao poder dessa luz que é o amor. Todavia a escuridão da alma pobre de Herodes agita-se e tenta a todo custo impedir que eles se envolvam mais com Cristo. Ele mobiliza seus cúmplices movido tão somente pelo medo de perder seu poder opressor para um poder que transforma, que anima, que motiva, que remove montanhas. A esse tão belo poder os magos querem adorar, querem deixar-se tocar! Essa, talvez, seja a busca profunda de todo homem e de toda mulher: “Repousar sua alma em Deus”.

Eles continuam seguindo a estrela. Chegam a um pobre lugar, a uma miserável cidadela onde encontram uma jovem com um recém-nascido. Agora, a estrela que antes era seguida pelos magos cede seu espaço a verdadeira luz do mundo (1 Jo 1,5-7): Jesus. Eles já não precisam mais seguir a estrela, estão diante da luz. Única atitude é prostrar-se face a ela.

Diante do Menino-Deus, luz da humanidade, os pobres magos esforçam-se para apresentar algo digno de tão grande dádiva. Todas as suas riquezas são pequenas diante do Filho de Deus. Essa luz que começa a irradiar-se diante dos magos e inebriará a vida de muitas pessoas ao longo da história, iluminando suas escuridões e fazendo brotar em seu coração o desejo de ser caridoso, justo e amável.

Qual não é a procura de cada cristão? Não é encontra-se profundamente com essa Luz de Cristo? Não é portar-se como os magos e envolver-se com o projeto de Deus que busca uma sociedade mais justa e humana?

Uma pergunta pertinente, que nos toma de assalto, em qual grupo nos encaixamos? No grupo dos que abrem o seu tesouro (=coração) e envolvem-se com a Luz do Salvador ou tentamos apagá-la por uma conduta cristã indesejável, semelhante a de Herodes?

Faço votos que em nosso Santuário cultivemos a conduta de curvar nosso coração e deixar-nos envolver pela Luz de Cristo. Que ela toque o nosso coração e em nossas pastorais reinem o espírito de fraternidade; Que em nossas assembleias as pessoas sejam mais generosas para ajudar o Santuário e que todos se sintam acolhidos em nossa Igreja. De igual modo, suplico que todo espírito herodiano de egoísmo, apego ao poder, narcisismo ou revanchismo não encontre pouso em nossa vida.

Pe. Reuberson Ferreira, MSC
Pároco e Reitor do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração.


Reações e Reações

Giving heart to Jesus abstract concept with easter cross on a whHá exatos dois meses, iniciávamos a Campanha do Dízimo. Ela foi filha, neta ou bisneta de uma legião de campanhas que a precederam e foram celebradas ao longo de oitenta anos para fazer com que o Santuário fosse o magnífico templo que hoje conhecemos. Era sempre um sonho coletivo de melhorar a Igreja que hoje usufruímos. Essa mesma medida foi o que nos levou a essa campanha.

Tendo terminado o projeto, gostaria de registar algumas reações que foram vividas durante sua execução. Uma primeira, foi de um fiel que me perguntou se era realmente necessário fazer a campanha. Eu, cuidadosamente, o respondi: Tal como um bom médico (estilo Dr. Sumita), só apliquei essa terapia, porque o diagnóstico exigia. Ou melhor, o fiz como um pai zeloso que insiste que os filhos tomem um remédio malgrado o sabor, pois sabe o bem que no futuro essa atitude trará. A campanha foi necessária porque nosso Santuário precisa. Se não o fosse, não faria.

Outra reação foi de um Ministro da Eucaristia. Ele disse-me: padre voltei a ser dizimista, espero que Deus me dê a graça de ser fiel a esse propósito. Despertar a consciência para fidelidade do dízimo nesse ministro e em outras pessoas é uma reação que se esperava dessa campanha, pois sem regularidade das contribuições é impossível manter esta estrutura que está a serviço da evangelização e tem gastos regulares.

Uma senhora também reagiu a campanha, disse-me: padre eu fiz uma promessa de dar o dízimo para uma obra missionária. Pacientemente, lhe expliquei que: dízimo é sinal de comunhão paroquial. No Santuário é onde está a comunidade dela, onde comunga, reza, pede os sacramentos e os serviços religiosos. Ela, continuei, não era proibida de fazer caridade a uma missão distante, contudo deveria ser justa e repartir aquilo que ofertava a outra Igreja com sua paróquia, pois em um dado momento sua comunidade não teria como se manter e, talvez, fechasse as portas e ela não teria como frequentar a comunidade distante e pobre que havia ajudado. No dia seguinte, aquela piedosa senhora por amor a este Santuário, entregou-me um “dízimo” no valor exato da metade de tudo que tinha ajudado a obra missionária. Devemos ajudar as necessidades das outras Igrejas, mas não podemos esquecer as do nosso Santuário. Corremos o risco de sermos como um marido que é muito bom para as pessoas na rua, mas deixa sua esposa e filhos passarem fome em casa.

Outra reação, foi raivosa e dura. Um fiel abordou-me no pátio e disse: “padre o senhor precisa ficar dizendo quantas pessoas vem ao Santuário e que são poucos dizimistas, isso nos constrange”. A reação dele me deixou inerte. Elevei aos olhos ao céu e com a firmeza respondi: de fato, não precisaria, você tem razão! Contudo, não precisaria desde que todos tivessem consciência de que deveriam ser dizimistas, colaboradores do anúncio do Evangelho aqui. Emendei dizendo: há um adágio judaico que diz que “as coisas óbvias sempre são as primeiras a serem esquecidas. É óbvio que todos deveriam ser dizimistas, mas isso é esquecido por muitos. Desse modo, tenho que fazer campanha para lembrar do óbvio: Sejamos dizimistas. Não sei se ele, entendeu, mas essa era a minha única razão para fazer a campanha: lembrar o óbvio.

Tantas outras situações vivi nessa campanha. Confesso que algumas foram bem desagradáveis, contrapostas a outras que edificaram muito e nos mostraram que estamos no caminho certo. O que verdadeiramente quero é o bem do Santuário. Estou há mais de um ano a serviço da comunidade como pároco. Devemos admitir que, com ajuda de muita gente, já fiz inúmeras atividades que sempre visam o bem da comunidade. A Campanha do Dízimo é apenas mais uma atividade. Portanto, ajude, apoie, confie. Viso sempre o bem do nosso Santuário!

Pe. Reuberson Ferreira, MSC 
Pároco e Reitor do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração.


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