Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração

Vila Formosa - São Paulo - Brasil

Os 300 Anos da Padroeira do Brasil – Parte Final

Durante os últimos dois meses contamos um pouquinho sobre a história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Santa Padroeira do Brasil. No último episódio da série falamos um pouco sobre a devoção à mãezinha tão adorada pelos fiéis brasileiros e pelo mundo afora!
Construção do maior Santuário dedicado a Maria:
Quem vê hoje a grandiosidade da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, que fica na cidade de Aparecida, em São Paulo, não imagina que tudo começou com uma pedra fundamental lançada em 1946. A partir daí iniciou-se a construção do primeiro Santuário dedicado a Nossa Senhora Aparecida, que teve sua primeira missa celebrada em 11 de setembro do mesmo ano.

Nos anos de 1980, as atividades principais do Santuário se concentraram na Basílica Nova de Aparecida, que foi consagrada pelo papa João Paulo II, em 04/07/1980, em sua primeira visita ao Brasil. Atualmente, a Basílica de Nossa Senhora Aparecida é considerada a maior no mundo dedicada à Maria e já recebeu a visita de fiéis do mundo todo e de três papas: João Paulo II, Bento XVI e o atual papa Francisco.

A estrutura do Santuário Nacional dedicado a nossa mãezinha impressiona: 1,3 milhão de metros quadrados , com cerca de 143 mil m² de área construída. Uma Basílica gigantesca que acolhe aproximadamente 12 milhões de fiéis todos os anos. Apesar de ter muitos pavimentos o mais visitado pelos turistas é a região em que fica a imagem original de Nossa Senhora, encontrada por pescadores há 300 anos, além do espaço das sala dos milagres que reúne relatos verídicos de milagres impressionantes realizados por Nossa Senhora Aparecida.

Devoção por Nossa Senhora Aparecida em todo o Brasil:

Em todo o território nacional, temos diversas paróquias dedicadas ao título de Nossa Senhora Aparecida. Aqui no Setor Episcopal Carrão-Formosa, por exemplo, temos a paróquia Nossa Senhora Aparecida que é localizada na Rua Amarais, nº 470.

A devoção pela Padroeira do Brasil também é difundida pelos Missionários do Sagrado Coração, que trabalham em dois Santuários dedicados a ela, localizados em Bauru (SP) e Itapetininga (SP), além de duas paróquias que ficam em São Gabriel da Cachoeira (AM) e Marmelópolis (MG).

Aline Imercio

Fotos: Portal A12.com

NS Aparecida


Os 300 Anos da Padroeira do Brasil – Parte 2

Nossa Senhora Aparecida Original“Nossa Senhora Aparecida é reconhecida” 

No primeiro texto da nossa série sobre a Padroeira do Brasil, contamos como a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida surgiu para os pobres pescadores da região de Guaratinguetá e, em pouco tempo, encantou muitos fiéis.

Por 15 anos (de 1717 a 1732), a imagem de Aparecida fez uma peregrinação pelas regiões de Ribeirão do Sá, Ponte Alta e Itaguassu. No final deste período, o pescador Felipe Pedroso entregou a imagem ao filho Anastásio. Foi ele quem construiu o primeiro oratório de Aparecida.

Por conta da devoção, em 1740 o vigário de Guaratinguetá, padre José Alves Vilela, construiu a primeira capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, onde os fiéis sempre rezavam o terço e a ladainha.

No ano de 1743, o vigário, impressionado com os milagres da Mãe, fez um relatório, onde pedia ao Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei João da Cruz, para que ele autorizasse a construção de uma igreja dedicada a Nossa Senhora. A autorização chegou e a igreja foi construída no Morro dos Coqueiros, na cidade de Aparecida.

Os primeiros milagres de Nossa Senhora Aparecida:

Primeira Capela de NS AparecidaNão foi só o milagre de trazer muitos peixes aos três pescadores que não encontravam nada no rio, que trouxe a devoção à Mãe Aparecida. A fé das pessoas só aumentava a cada vez que se ouvia um novo milagre. E foi isso que ajudou para que a Igreja reconhecesse o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Destacamos alguns dos mais famosos:

– Velas: Ainda no pequeno oratório dedicado à Aparecida, era comum ver a comunidade se reunir ao redor da imagem da santa para rezar a ladainha. Como de costume, as velas eram acendidas. Em um dia de forte ventania a comunidade viu todas se apagarem repentinamente. Silvana Rocha, uma das que estavam rezando, levantou-se para acendê-las novamente. Mas não precisou. Em instantes, todas as velas acenderam-se sozinhas.

– Menina cega: Gertrudes Vaz, em 1874, enfrentou o desafio de viajar com sua filha cega de Jabuticabal até a cidade de Aparecida. O motivo era de que a menina pedia muito para ir onde ficava a imagem da Santa. Ao chegar perto de Aparecida, a garota disse uma frase que emocionou a mãe: “Olhe, mãe, a capela da santa!”. A partir desse momento, a jovem passou a enxergar.

– Escravo Zacarias: Na época em que a imagem apareceu, era comum no Brasil o regime escravocrata. Certa vez, um escravo chamado Zacarias passou com seu feitor perto do Santuário de Nossa Senhora e pediu para rezar um pouco. Entrou no local, ajoelhou-se aos pés da image de Aparecida e viu suas correntes se romperem. A partir desse momento ele estava livre!

E tanta devoção fez com que fosse criado um Santuário, um dos maiores do mundo, dedicado a Nossa Senhora Aparecida! É o que a gente conta no próximo episódio.

(Continua no próximo mês)

Aline Imercio
Fonte: Portal A12.com
Fotos: Arquivo do Santuário de N.Sra. Aparecida

 

 


“Esse é apenas o começo da Igreja para buscar a dimensão da Misericórdia de Deus”

padre-valdecirSempre muito simpático e cheio de brilho nos olhos ao falar da fé, Padre Valdecir Soares Santos, MSC, segue sua vocação na igreja há 13 anos e está em nosso Santuário há um ano e nove meses. À frente da maioria das atividades da igreja, o sacerdote maranhense fala com alegria do Ano da Misericórdia no Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração: “Me sinto muito grato por estar na Igreja que acolheu a porta Santa da Misericórdia!”, e foi sobre o ano jubilar que o padre conversou com o Jornal Santuário de Maria nesta entrevista exclusiva:

Jornal Santuário (JS): Qual o balanço que o senhor faz sobre o Ano Santo da Misericórdia na Igreja Católica?

Pe. Valdecir: O Ano Santo da Misericórdia foi instituído pelo Papa Francisco no dia 11 de abril de 2015, com a pretensão de que cada um de nós devemos nos despertar para a “misericórdia de Deus”. Ela que nos abraça, não enxergando quem somos, o que fazemos ou deixamos de fazer, essa misericórdia que está sempre ao nosso alcance.

O ano teve uma boa repercussão, mas também mostrou que talvez não estejamos conscientes ainda dessa grandeza da misericórdia divina. Acredito que poderia ser mais abrangente, algo na dimensão da vivência. Quantas vezes, temos mais consciência de um Deus que pune, um Deus que castiga, que pode não acolher, e pouca consciência da misericórdia de Deus, que abraça e acolhe todas as pessoas.

JS: Falta, então, entendermos melhor a didática da Misericórdia, o que ela significa?

Pe. Valdecir: Acredito que não seja uma questão de didática, mas sim de vivência. Temos a visão de uma igreja punitiva, cheia de normas e regras, mas pouca dimensão de uma igreja misericordiosa, mas isso não significa que ela não seja misericordiosa.

O Papa Francisco fala da necessidade de uma Igreja que busque a misericórdia, não uma Igreja que esteja sempre bonitinha e direitinha, mas sim uma Igreja enlameada, no sentido que se suja porque vai resgatar aqueles que estão na miséria, que não se fecha para isso, que busca a ovelha perdida e que, sobretudo, quer alcançar a todos e não só aqueles que estão ao seu redor.

A misericórdia de Deus não vê apenas a pessoa em si, mas especialmente a vida, que recebeu como dom de Deus. Misericórdia tem o significado de miséria e de córdia, que quer dizer coração. Um Deus que vem com um coração amoroso sobre as nossas misérias e nos acolhe.

Nosso Deus é exigente, ele não se contenta com 99 ovelhas, ele quer as 100. Quantas pessoas estão precisando de uma palavra? Tem uma história de vida sofrida e precisam da misericórdia em suas vidas? Uma coisa muito simples é um abraço, quantas pessoas estão carentes de abraço e o quanto isso pode fazer a diferença na vida de muitas delas? É essa dimensão que a igreja deve buscar.

JS: O que pode ter representado esse Ano Extraordinário da Misericórdia?

Pe. Valdecir: Normalmente, o ano jubilar tem a porta somente lá em Roma, mas o Papa Francisco quis que, pela primeira vez, a Porta da Misericórdia estivesse presente em diferentes regiões do mundo. Ele desejou ter essa maior aproximação entre a Igreja e os fiéis, quis que todos tivessem a oportunidade de ver Porta Santa da Misericórdia de perto e passar por ela.

O Papa Francisco quer despertar no coração de cada um de nós, a consciência de que somos abraçados pela misericórdia de Deus. Misericórdia não vê religião, não vê igreja, não vê raça, não vê condição social. A misericórdia não é falta de dinheiro, você pode ter tudo economicamente, mas ter um coração miserável. Ela acolhe e transforma. Não é só o anúncio da misericórdia de Deus, mas, especialmente, a vivência.

Essa dimensão é muito nova e é apenas o começo de uma longa caminhada da igreja para buscar a misericórdia.

E a dimensão de um Deus que abre e quer acolher a todos. Os fiéis devem se sentir amados por Deus.

JS: E como foi a repercussão do Ano Santo da Misericórdia no Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração?

Pe. Valdecir: Aqui tivemos agendadas 29 peregrinações, 31, se contarmos a abertura e o encerramento da Porta Santa. Acho que foi muito positivo, mas poderia ter sido mais forte e envolvente, porque, talvez, nem todos tenham essa real dimensão da misericórdia de Deus.

É interessante observar que muitos trabalham mais para o povo e menos para si, no sentido de acolher essa graça. As pessoas da própria comunidade acabam ficando mais funcional e menos no vivencial e testemunhal.

Eu vejo, por exemplo, pessoas de fora que entram na igreja, ajoelham na porta, fazem a oração com fé, enquanto as pessoas daqui acabam, muitas vezes, passando por qualquer porta, menos a da misericórdia e quando passam veem apenas uma porta. Tenho uma imagem muito bonita de ter visto uma criança de ajoelhar sozinha e fazer sua oração diante da Porta da Misericórdia, e os próprios pais dessa criança não fizeram isso. Isso é evangelizador.

Acolher bem as pessoas de fora passa pelo “seja bem-vindo”, mas também é preciso demonstrar a fé, dar o exemplo para os que estão chegando. Jesus já falava isso para Marta,

que ela não deveria ficar tão desesperada, mas sim se juntar com Maria para viver em oração. É isso que precisamos viver sermos mais testemunhas, e menos exclusivamente funcionais.

JS: As pessoas procuravam o senhor nesse período para saber o significado da Porta da Misericórdia?

Pe. Valdecir: Muito pouco, a gente falava também bastante nas celebrações do significado do ano e da Porta. É uma palavra que a gente escuta muito, mas também a gente entende pouco. Muitas pessoas se escondem para dizer que conhecem sem conhecer, uma ou outra pessoa me procurou, mas não muitas.

JS: E para o senhor, o que representou ter a Porta da Misericórdia?

Pe. Valdecir: Alguns sentimentos. Quando nós pensamos em solicitar que essa igreja recebesse a Porta da Misericórdia, eu me sentia muito desafiado, quase inseguro, era uma coisa nova. Quando chegou a afirmação que essa igreja receberia a Porta Santa da Misericórdia questionei-me como isso iria se desenvolver, já que era para toda região Belém, foi um novo desafio. Mas, depois de tudo como me sinto hoje? Gratificado, sinto-me bem por ter tido essa oportunidade de estar trabalhando nessa igreja que, por sua vez, foi escolhida para ter a Porta da Misericórdia. Minha avaliação pessoal é muito positiva, vendo que tudo isso é fruto da Misericórdia de Deus.

JS: O senhor gostaria de fazer algum agradecimento aos fiéis que participaram deste ano Santo da Misericórdia?

Pe. Valdecir: Primeiro gostaria de fazer o convite para que todos estejam presentes no encerramento do ano jubilar, que acontece no dia 13 de novembro, às 15h, em nosso Santuário.

Também gostaria de chamar a atenção para que todos continuem ainda mais motivados, já que estamos coroando esse tempo.

Agradecer a todos pela doação, pela entrega, pela gratidão, pela compreensão, pelo esforço dedicado. À confiança provincial que permitiu que tivéssemos aqui a Porta Santa, o senhor Bispo na época Dom Edmar e o cardeal D. Odilo, nosso setor e a região Belém e, no mais, a todos pela disponibilidade e pelo esforço que fizeram. E dizer que o ano é da Misericórdia, mas sabemos que a Misericórdia não tem fim.
Aline Imercio

Fotos: Beto Rocha (Santuátio) e Aline Imercio (Pe. Valdecir)

 

 

 

 

2 anexos


Nova santa para Igreja Católica: Madre Teresa de Calcutá!

Em março deste ano, sua santidade Papa Francisco anunciou a santificação de Madre Teresa de Calcutá. Ela foi canonizada e nomeada Santa Teresa de Calcutá pelo santo padre no dia 4 de setembro, data em que também se comemora o 19º ano de sua morte. Este foi um dos eventos mais importantes do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia.

Uma história de fé e bondade 

A história de Madre Teresa de Calcutá começa no dia 27 de agosto de 1910, na Albânia, data do do seu nascimento. A jovem menina Agnes Gonxha Bojaxhiu recebeu um chamado de Deus aos dezoito anos para ingressar na vida religiosa e, com o apoio dos pais, começou a caminhar em sua vocação na Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, na Irlanda.

Apesar de amar viver a religiosidade e o evangelho, a jovem menina tinha mais um desejo: sonhava em ter um trabalho social com os pobres da região de Calcutá, na Índia. Suas superioras, que conheciam o desejo missionário, apoiaram a decisão de Agnes, que após a sua profissão religiosa se tornou Teresa (inspirada na humildade de Santa Teresa de Jesus).

Madre Teresa foi à Índia, deu aulas a famílias bem estruturadas, mas também não deixava de sair às ruas e olhar de perto a pobreza e a miséria, a fim de ajudar aos mais necessitados. Teresa sabia que ali estava sua vocação e teve certeza disso, quando ouviu um irmão, no Himalaia, lhe dizer “Tenho sede”. A partir daí, a religiosa se dedicou totalmente à atividade missionária aos mais pobres e fundou a Congregação Missionárias da Caridade, aprovada pelo vaticano em 1950.

Mais tarde, em 1979, Madre Teresa teve seu trabalho reconhecido e ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Faleceu em setembro de 1997.

A ela é atribuído o alcance de alguns milagres, como o do brasileiro de 42 anos que se curou de tumores no cérebro graças a intercessão a Deus de nossa, agora, Santa Teresa de Calcutá.
Aline Imercio


Região Episcopal Belém dá boas vindas ao seu novo Bispo Auxiliar

padreluizcarlosdiasO Padre Luiz Carlos Dias, do clero de São João da Boa Vista, foi nomeado por Papa Francisco e assume sua nova missão, oficialmente, em maio.

No dia 16 de março de 2016, sua Santidade Papa Francisco fez uma nomeação que muitos aguardavam: a do novo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo para a região Belém. A nomeação foi dada ao Padre Luiz Carlos Dias, até então membro do secretariado geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do clero da diocese de São João da Boa Vista. Desde novembro de 2015, depois da transferência do então bispo auxiliar Dom Edmar Peron para Paranaguá (PR), aguardávamos seu substituto.

O novo Bispo, Padre Luiz Carlos Dias, nasceu em 16 de setembro de 1964 e é natural da região de Caconde, interior de São Paulo. Foi ordenado sacerdote no ano de 1991 por Dom Tomás Vaqueiro. Estudioso, o padre Luiz Carlos tem cursos de relevância em seu currículo, como o de mestre em Filosofia, concluído em Roma, e de Ética Social, na Alemanha.

Em sua vida de sacerdote, Padre Luiz Carlos foi docente no Instituto de Teologia de São João da Boa Vista, no Instituto de Filosofia da diocese de Guaxupé, no Instituto de Filosofia de São João da Boa Vista e no Instituto de Filosofia da Arquidiocese de Brasília. Entre outras funções, o padre também foi secretário executivo das campanhas da Fraternidade e Evangelização, da CNBB.

Exercendo o novo cargo de bispo auxiliar da Região Episcopal Belém, o Padre Luiz Carlos se junta a outros bispos auxiliares de São Paulo como Dom Julio Endi Akamine (da região da Lapa), Dom Eduardo Vieira dos Santos (da região da Sé), Dom José Roberto Fortes Palau (da região do Ipiranga), Dom Sérgio de Deus Borges (da região de Santana).

O Padre Luiz Carlos Dias é o sétimo a ocupar o cargo de Bispo Auxiliar da Região Episcopal Belém, que começou no ano de 1966 e abrange grande parte das paróquias da Zona Leste. O padre será ordenado Bispo Auxiliar no dia 7 de maio em Caconde, sua cidade natal. No dia 26 de maio, às 9 horas, durante a festa de Corpus Christi, tomará posse na Catedral da Sé e, no dia 28 de maio, nosso Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração será o local da celebração de acolhida da Região Belém ao novo Bispo, Dom Luiz Carlos Dias, às 15 horas.

Aline Rodrigues Imercio

(Fontes: http://www.arquisp.org.br/regiaobelem/noticias/novo-bispo-auxiliar-sera-empossado-na-festa-de-corpus-christi/ http://www.diocesesaojoao.org.br/site/pe-luiz-carlos-dias-e-nomeado-bispo-pelo-papa-francisco/)


Os principais assuntos da Exortação “A alegria do amor”

Saiba os principais assuntos da Exortação “A alegria do amor “ escrito por Papa Francisco

O documento fala do amor com o próximo e toca em assuntos como divórcio e homossexualidade

O Vaticano divulgou uma Exortação Apostólica intitulada “Amoris Laetitia” ou “A alegria do amor”, o texto de mais de duzentas folhas é resultado de dois Sínodos sobre a família (de 2014 e 2015) e traz às principais conclusões que sua Santidade Papa Francisco chegou após eles.

Entre os diversos argumentos do Papa na exortação apostólica há o pedido de menor julgamento, maior respeito e amor entre os cristãos em diversas questões. “Ser amável não é um estilo que o cristão possa escolher ou rejeitar: faz parte das exigências irrenunciáveis do amor, por isso todo ser humano está obrigado a ser afável com aqueles que o rodeiam. Diariamente entrar na vida do outro, mesmo quando faz parte da nossa existência, exige a delicadeza duma atitude não evasiva, que renova a confiança e o respeito”, diz o santo padre no texto.

No texto de novo capítulos, o Papa Francisco ainda fala do tema divórcio, o Santo Padre diz que é preciso conservar o amor entre a união e respeitar o matrimônio, mas reconhece que na sociedade atual há situações extremas, em que o divórcio é realizado também para a segurança dos envolvidos. “Por vezes, pode tornar-se até moralmente necessária, quando se trata de defender o cônjuge mais frágil, ou os filhos pequenos, as feridas mais graves causadas pela prepotência e a violência, pela humilhação e a exploração, pela alienação e a indiferença. Mas deve ser considerado um remédio extremo, depois que se tenham demonstrado vãs todas as tentativas razoáveis”.

Outro assunto também comentado pelo Papa Francisco na exortação apostólica foi a questão do homossexualismo. O Papa esclareceu que as famílias, assim que percebem uma tendência homossexual entre um de seus membros devem assegurar para que seja feita a vontade de Deus e que o desrespeito por conta da orientação sexual jamais falte. Disse o Santo Padre: “Com os padres sinodais examinei a situação das famílias que vivem a experiência de ter no seio pessoas com tendência homossexual, experiência não fácil nem para os pais nem para os filhos. Por isso desejo, antes de mais nada, reafirmar que cada pessoa, independentemente da própria orientação sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito, procurando evitar qualquer sinal de discriminação injusta e particularmente toda a forma de agressão e violência”.

Entre outros assuntos da exortação apostólica, o Papa ressaltou a necessidade de reforçar a educação dos filhos em sua formação ética, religiosa e da importância do matrimônio e da família, além de falar para que bispos busquem soluções para diferentes assuntos diante das tradições e desafios de cada local em que atuam.

Para finalizar o Santo Papa deixa uma mensagem para todos os cristãos: “Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida”. E finaliza com a oração da Sagrada Família, que colocamos abaixo:

Oração à Sagrada Família

Jesus, Maria e José, em Vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, confiantes, a Vós nos consagramos. Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas. Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão; e quem tiver sido ferido ou escandalizado seja rapidamente consolado e curado. Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do carácter sagrado e inviolável da família, da sua beleza no projeto de Deus. Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica.

Amém.

Aline Imercio


CF-2016: “Casa comum, nossa responsabilidade”

Com o tema que discute o saneamento básico no Brasil, a Campanha da Fraternidade de 2016 é ecumênica e mantém o diálogo entre as religiões na busca da justiça e da igualdade

Aline Imercio

cf2016

Começo do ano, no calendário litúrgico-pastoral católico, entre várias atividades, em meio ao ano da misericórdia, é inevitável não lembrar da Campanha da Fraternidade (CF). Todos os anos a Igreja Católica, no Brasil apresenta um tema que merece atenção e reflexão durante todo o ano. Em 2016 o tema da campanha é “Casa comum, nossa responsabilidade” e é organizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC). O CONIC é composto pelas seguintes igrejas: A Igreja Católica Apostólica Romana; A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil; e a Igreja Sirian Ortodoxo de Antioquia. Isto acontece há cada quatro anos, desde o ano de 2000, quando celebramos a primeira CF ecumênica. Lembramos, ainda, que nesta edição, três organizações participaram na Comissão da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016: O Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP), Visão Mundial, Aliança de Batistas do Brasil.

Sob o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça que o riacho não seca” (Am 5,24), a campanha tem como objetivo assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas. O saneamento básico é referente ao tratamento de água e esgoto que chega as nossas casas. De acordo com o Instituto Trata Brasil, cerca de 82,5% dos brasileiros tem acesso ao saneamento, o que significa que 35 milhões de pessoas no país não tem acesso ao serviço básico de tratamento de água e esgoto. Por isso há uma preocupação urgente em resolver essa situação, e também por isso a campanha da fraternidade acolhe este tema durante este ano de 2016.

E também por ser ecumênica, a campanha coloca entre seus objetivos a união das igrejas para um bem comum, como diz o trecho publicado no site oficial: “Unir igrejas, diferentes expressões religiosas e pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico”. Algo que vai de encontro com o Papa Francisco prega em muito de seus discursos, que dão ênfase a igualdade entre as religiões e o diálogo para um objetivo comum entre elas.

Outro ponto interessante entre os objetivos da Campanha da Fraternidade de 2016 é o de “estimular o conhecimento da realidade local em relação aos serviços de saneamento básico”, ou seja, mostrar para algumas regiões o que é o saneamento básico e a importância dele para garantir, acima de tudo, a saúde da população.

A campanha também destaca a importância do saneamento básico como responsabilidade pública e não privada e mostra a necessidade dos municípios elaborarem um Plano de Saneamento Básico, onde possam organizar políticas públicas para a melhoria dessa situação. Para se ter uma noção de como é grave o problema de saneamento no Brasil, hoje cerca de seis milhões de pessoas no país não têm acesso a banheiros, e a região onde menos há tratamento de esgoto, segundo o Trata Brasil, é a Norte com somente 14,7% do esgoto tratado.

O lema da campanha, que fala da “Casa Comum” também é destaque. Segundo o site oficial, a casa comum em que devemos ter responsabilidade é aquela onde todos nós convivemos, e essa responsabilidade está relacionada ao cuidado, com os rios poluídos, com o tratamento de esgoto e com atenção a políticas públicas de saneamento.

Por fim, a Campanha da Fraternidade também tem uma oração muito especial, que serve para sempre a façamos durante esse ano e movimentemos a nossa comunidade para essas mudanças sociais e que ajudam o país a viver uma condição melhor. Abaixo confira a oração:

ORAÇÃO OFICIAL DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2016

Deus da vida, da justiça e do amor, Vós fizestes com ternura o nosso planeta, morada de todas as espécies e povos.

Dai-nos assumir, na força da fé e em irmandade ecumênica, a corresponsabilidade na construção de um mundo sustentável e justo, para todos.

No seguimento de Jesus, com a Alegria do Evangelho e com a opção pelos pobres.

Dom Pedro Casaldáliga (bispo emérito da Prelazia de São Felix do Araguaia)


A chamada de Papa Francisco para o Ano da Misericórdia

PORTA SANTA

“Será um Santo Ano da Misericórdia!”. Essas foram às palavras do Papa Francisco ao anunciar em março deste ano a convocação extraordinária do Ano Jubilar da Misericórdia. Durante o ano da Misericórdia, que acontece de 8 de dezembro deste ano a novembro de 2016, fiéis católicos  sob o lema “Sede Misericordiosos com o Pai” podem receber o perdão de suas faltas, e trabalhar ainda mais o testemunho da misericórdia na Igreja. Outra boa notícia é que o ano da misericórdia também está bem próximo de nossos paroquianos, já que o Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração foi escolhido como o Santuário da Misericórdia para a Região Episcopal de Belém.

A celebração de um Jubileu católico, não é novidade. A tradição chega a sua vigésima nona edição, sendo instituído pela primeira vez em fevereiro  de 1300 pelo Papa Bonifácio VIII. A palavra Jubileu vem do latim “iubilum” e significa “grito de alegria”, na Igreja essa alegria se dá pela libertação dos pecados..
Um  Ano de Misericórdia ocorre tradicionalmente na Igreja a cada 25 anos, mas pode ser convocado caso o Papa veja a necessidade, de maneira extraordinária, como Francisco fez.

Segundo o Papa a convocação do Jubilei para este próximo ano se deu principalmente depois de uma reflexão.

“Pensei  muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual, e devemos fazer este caminho. Por isso decidi proclamar um Jubileu Extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus”, disse o santo padre na ocasião do anúncio do Ano Santo.

O calendário completo da programação do Ano da Misericórdia pode ser visto em um site criado pelo Vaticano, o www.iubilaeummisericordiae.va . Entre as principais atividades está a abertura do Jubileu, que acontece no próximo dia 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição , e em que as portas da Santa Basílica de São Pedro serão abertas, como símbolo da abertura de um caminho extraordinário par a salvação.

Aline Imercio

Fontes: iubilaeummisericordiae.va e cristaojovem.com


Você lê a Bíblia?

Um livro que foi escrito há muitos anos atrás, é até hoje o mais lido do mundo, provoca debates, traz diversas orações e é todo feito de ensinamentos . A Bíblia é também, sem dúvida, o livro mais conhecido por cristãos e não cristãos e a principal fonte para se conhecer cada vez mais um pouco da religião e da fé. Mas aquela que seria a principal cartilha do cristianismo, ainda não é a lida por todos os fiéis.

Mesmo o Brasil tendo um número considerável de católicos, poucos ainda leem a Bíblia com frequência ou mesmo visitam a Igreja. Muitas vezes, a leitura do livro sagrado se limita a passagens lidas pelo padre durante a missa ou em grupos de oração, são poucos os católicos que fazem realmente a liturgia diária.

A paroquiana Maria Regina Rocha de Lima, de 44 anos é uma católica praticante e que costuma ler o evangelho diariamente “Rezamos o terço todos os dias na minha mãe às 15h00 e após o terço lemos o evangelho do dia e meditamos a palavra”.

Mas Regina ainda é exceção, um estudo publicado pela LifeWay Research, realizado nos Estados Unidos , em 2012, trouxe o dado de que por lá apenas 20% dos cristãos liam a Bíblia regularmente.

Atingir a leitura da Bíblia entre os jovens também é um grande desafio. A compreensão das palavras sagrado muitas vezes são o obstáculo.

 

luanaA jovem paroquiana do Santuário, Luana Galvani, de 14 anos, diz ler a Bíblia pelo menos uma vez por semana e ter a companhia de sua mãe muitas vezes na leitura, mas o grande desafio fica por conta da interpretação: “às vezes encontro dificuldade em compreender algumas palavras”, diz a estudante.

A incompreensão de algumas palavras pode acontecer, afinal o livro sagrado foi escrito há muitos séculos. Alguns religiosos recomendam a oração, para que Deus possibilite o entendimento da leitura. Procurar por outra pessoa que entenda melhor os termos e tirar dúvidas com esse outro religioso, também é permitido. Mesmo lendo a escritura sagrada todos os dias, Maria Regina ainda se depara com palavras que não consegue compreender . “Quando encontramos dificuldades, perguntamos para alguém que conhecemos ou lemos e relemos várias vezes”, diz.

Mesmo não sendo praticada diariamente pela maioria dos católicos, a leitura da Bíblia é essencial e deve ser sempre lembrada por cada religioso. O santo Padre Papa Francisco diz que a leitura do livro sagrado não é apenas importante só para o cristão, como também para sua família e a harmonia de seu lar “Para que a família possa caminhar bem, com confiança e esperança, é preciso que seja sempre alimentada pela Palavra de Deus”, diz o Papa.


Por mais vocações

A história de dois religiosos da nossa comunidade mostram as dificuldades e alegrias de quem escolheu a vocação do sacerdócio que, em nosso país, precisa crescer

Desde pequeno José Eduardo Paixão, de 28 anos, gostava de frequentar a Igreja. O ambiente acolhedor e de vida em comunidade encantavam o jovem menino que, mesmo sem que os pais o acompanhassem, fazia questão de ir as missas e atividades paroquiais. Quando chegou ao ensino médio, o adolescente foi chamado pelo padre para frequentar encontros vocacionais. Talvez ser padre fosse o destino daquele garoto tão dedicado e religioso. José não só gostou da ideia, como passou a frequentar diversos encontros e tentar, pelo menos três vezes, entrar em um seminário. Mas, a decepção chegou quando, em três tentativas nenhuma foi bem sucedida e então, já em período de vestibular, o jovem foi fazer faculdade de enfermagem, considerando que talvez aquela pudesse ser a vontade de Deus. Já aos 21 anos, e formado como enfermeiro, Paixão não conseguia desistir da ideia de ser padre, foi quando conheceu padre Valdecir dos Missionários do Sagrado Coração e, finalmente, começou seus estudos para se tornar um padre da Igreja Católica. “A vontade Deus consistia em ser amado e amar”, diz Fratér José Eduardo Paixão.

Destinos como o de José Eduardo estão ficando cada vez mais raros no Brasil e no mundo. No país considerado de maioria católica não há hoje ao menos um padre por município. E isso se deve principalmente de acordo com padre Reuberson Ferreira à falta de formação religiosa nas famílias “Hoje, a dificuldade de uma formação religiosa familiar faz com que muitos não ouçam o chamado para o sacerdócio. Não se fala sobre vontade de Deus para a nossa vida nas famílias, uma vontade que contemple a vocação religiosa ou qualquer outra vocação.”

O incentivo da família

Ao contrário de décadas passadas, quando grande parte das vocações eram incentivadas pela família, hoje a maioria dos seminaristas ingressam já maduros, depois dos vinte anos de idade nos seminários e dizem descobrir sua vocação em comunidades eclesiásticas ou mesmo no convívio com a Igreja. A possibilidade da vida sacerdotal hoje é raramente cogitada como o futuro dos filhos.

Padre Reuberson também sua descobriu sua vocação bem cedo. Aos 12, o menino do interior do Maranhão já tinha certeza que seguiria a vida religiosa. E aos 17 anos começou os estudos no seminário, o que surpreendeu de certa forma sua família. “ Meu pai não  entendia muito meu desejo, mas deixava que eu seguisse. Julgo que ele não achava que isso fosse dar em muita  coisa. Já os amigos da escola, faziam chacota do meu desejo”, diz padre Reuberson. Com o tempo, e observando o talento do jovem para vocação, todos acabaram apoiando a ideia de Ferreira.

Assim como padre Reuberson, o frater José Eduardo surpreendeu seus amigos e familiares quando anunciou sua entrada ao seminário. Os colegas da Igreja, que tanto o incentivavam a seguir o sacerdócio, se colocaram contra a decisão de José. Já seus pais, de quem ele esperava a resposta negativa, acabaram o apoiando. “Nunca me esqueço das palavras que minha mãe usou no dia da visita do padre em nossa casa ela disse: ‘iremos sofrer com a distância, mas se esta é a vontade nós o deixaremos ir para o seminário’ “, diz .

Na batalha dos estudos e da dedicação para a vocação que escolheram, ambos conquistaram o sucesso na vida religiosa. Fráter José Eduardo está a pouco de se tornar padre e Reuberson é hoje o vigário do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Para uma igreja que tenha ainda mais religiosos, José acredita no poder das comunidades . “A vocação Sacerdotal é um sentido de Vida, doada, gasta, entregue pelo Reino de Deus. As comunidades que buscam ser vivas em todas as suas dimensões, tornam-se celeiros naturais de vocações”, diz. Já para padre Reuberson o incentivo a vocação está na oração, na família e na sociedade. “Creio que a oração em primeiro lugar; Depois as Famílias terem consistência e falarem também de vocação aos seus filhos e , por fim, inversão de valores em nossa sociedade “, conclui.

Aline Imercio


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